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Fotografia de papel e o papel da fotografia

Salve pessoa!
   Outro dia, me peguei refletindo sobre a época em que os discos de vinil sinalizaram  a sua eminente extinção, estaria o progresso colocando um ponto final em um dos prazeres que eu tinha? Sabe aquele ritual de virar o disco a cada sequência de músicas? Fiquei me sentindo meio atropelado por toda essa modernidade, mas sempre apostei que o vinil voltaria um dia… e voltaria repaginado. 
“Queen”                                                                                                  Photo: Marcello Rocha
   À medida que o tempo passava, mais eu tinha a certeza de que esse tempo voltaria, por isso nunca abandonei os meus discos, pelo contrário, garimpar os sebos passou a ser uma terapia, um momento de descobertas, surpresas, auto análise e relaxamento. E de fato esse tempo voltou, muitos artistas estão lançando novos trabalhos em vinil, e acho simplesmente divino.    
   Pensando nisso, andei refletindo sobre o mesmo acontecendo com a fotografia, diante do fenômeno em que se tornou a tecnologia digital, tive receio que ocorresse a vulgarização da prática, de fato, fotografar passou a ser recorrente e compartilhado por boa parte da população mundial, fazendo parte do dia a dia da maioria. Mas também é certo que momentos especiais ficaram limitados em CDs e HDs da vida, flagrantes de uma época compactados em microcircuitos e que por muitas vezes ficam meio que esquecidos por lá, a praticidade de se publicar fotografias no Flickr, Facebook ou Instagram, mesmo com perda de resolução algumas das vezes, também colabora com uma certa “preguiça”, digamos assim, de se produzir impressões, tenho certeza muitos já se pegaram pensando e ampliar aquela foto sensacional e “pôr em uma moldura”, e até hoje não o fizeram.
Paris alt
“Paris” 1998                                                                                         Photo: Marcello Rocha
    Imagine no momento que me senti “traído”pela fotografia ao vê-la deixando sua fase analógica (tal qual uma lagarta, que após algum tempo em seu casulo, ganha asas e vai borboletear por aí), e  transformando-se na moderna fotografia como conhecemos hoje? Durante muito tempo resisti em aderir a essa tecnologia, foi assim,  nadando contra a corrente, que em certo momento percebi que não poderia continuar atuando em um segmento que não comportava equipamentos obsoletos, foi doloroso no início, mas como tudo nessa vida, pude me adaptar, até comecei a gostar da praticidade e agilidade ganha nesses novos tempos, mas confesso que ainda mantenho a minha Nikon F90X analógica, gosto de brincar vez em quando com a película, quando o único compromisso é com a diversão, agora… aquela imagem”palpável”, foi ficando cada vez mais rara, mas sempre permeou o meu imaginário, e que deleite ao ver as impressões produzidas nesse tempo, êxtase.
Câmera Nikon analógica
NIKON F90X
   Para a imensa felicidade dos amantes de fotografia convencional, órfãos da antiga tecnologia, como eu, essa coisa da fotografia em papel foi ganhando mais fôlego. Torço para  que cada vez mais possamos praticar a fotografia física, daquelas que podemos pegar, ou não. Gosto de apreciar fotografia de uma maneira geral, mas quando vejo uma bela imagem, em grande formato em uma galeria ou mesmo no sentido decorativo (porque me encanta esse cuidado em deixar o seu canto com um visual que “fale”um pouco de você, e acho que a fotografia cumpre bem esse papel), admito que me sinto muito mais sensibilizado e disposto a entender o percurso de construção daquela imagem. Nesse sentido, gostaria de citar a lomografia, movimento de fotografia analógica onde utiliza-se câmeras automáticas, e é muito gratificante se criar uma imagem, sendo surpreendido a cada clique, pois trata-se de um dos atrativos da técnica, a premissa é: não pense (muito, rsrs)… Fotografe!  e o grande barato disso tudo é que podemos aproveitar o resultado de tais experiências conjugando as técnicas, analógicas e digitais, mas isso eu gostaria de me aprofundar em outro momento.
   Me sinto mais motivado quando tenho propostas em que o resultado final se dá em um “produto”. Fotografia impressa… impressiona, sem querer fazer trocadilho, e já fazendo, certamente agregamos muito valor a nossa produção, e quando colocamos em prática, além de motivador,  é sempre um up.

 

   Enjoy e até a próxima.

 

 Texto e fotografia: Marcello Rocha 

 

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