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Bailão da CéU

  Salve pessoa!

   Mais uma missão brilhantemente cumprida pelo nosso correspondente Rogério Melo na noite de sexta feira, 8/11/2013 no templo do Circo Voador. O show da cantora CéU foi de arrepiar e Rogério nos contemplou com suas impressões…Enjoy peoples.

   Altamente dançante… Divinamente contagiante… Harmonioso! A diva do balanço… A musa da malemolência conduziu com maestria o seu show/ baile no Circo VoadorUm baile aberto aos bons da cabeça e aos sadios do pé! 

   Como uma mestra de cerimônia, sem nenhuma cerimônia, CéU nos levou com sua generosidade musical , nos colocou pra sacolejar com seu repertório de canções marcantes, que já se tornaram pérolas aos ouvidos de seus seguidores e súditos da realeza de suas melodias certeiras… Muito bem amparada e assessorada por um quarteto de músicos arrojados, composto por Dustan Gallas na guitarra, no contrabaixo Lucas Martins, Bruno Buarque na bateria, mais o Dj Marcos, na parafernália eletrônica, numa harmonia poderosa e precisa.  Foram nos apresentando a cada música executada, o quanto são parceiros e com muita leveza e concentração, passeiam conjuntamente como brincantes , por esse exercício divino de tocarem seus respectivos instrumentos, para as viagens melódicas de CéU. 

   CéU transitou e mergulhou por seus três álbuns autorais, “CéU” de 2005, “Vagarosa” de 2009, e “Caravana Sereia Bloom” de 2012, privilegiando o 3º disco, já que está fechando a turnê do mesmo. 

Abriu com a vinheta “Fffree”, que logo deu lugar a “Falta de Ar”, com ares de Jovem Guarda e Tropicalismo, crítica as viagens espaciais, veio “Amor de Antigos”, um amor todo a prova de ebó, dançante que só, mais o carimbó “Contravento”, norteado pelo agogô e remelexo de CéU, em seguida clima de cabaré, desilusão e um cadin de fossa, com a versão de uma música latina chorosa, mais “Retrovisor” do Caravana… Momento tripjazzyhop, com “Grains de Beauté”, do Vagarosa, de volta ao Caravana, com a entoação de “Sereia”, canto d’água que a filha de CéU, Rosa Nena, adora cantar, no banho com mainha. E vem mais um som latino para bailar, de Eydie Gormé, “Piel Canela”, em seguida uma versão peculiar de “Cangote”, mais um destaque para a latinidade abrasileirada, bem diferente da versão original do Vagarosa, que remete ao dub, reggae e ao trip hop, elemento este, que ressurge com “Street Bloom”, esta do Caravana, sopro de nightclub, vi Portishead ali.

  E chega “Malemolência”, enfumaçada do 1º álbum, pra que o beijo, se podemos ter o seu olhar, CéU… E segue com uma releitura safada de Pepeu Gomes, “Mil e Uma Noites de Amor”, que levantou a plateia.

   “Lenda”, também do 1º, “Tome tento, fique esperto…”, e no “bailão” da CéU, não poderia faltar “Baile de Ilusão”, do Caravana, um rock brega radiante, setentista, regido por decibéis, sacudiu a pista e a arquibancada do Circo. Reverências a Bob Marley, numa releitura saudosa de “Catch a Fire” , veio a dona da realeza, “Rainha”, mais uma do 1º, a África presente, invadindo a lona, e para fechar, “Chegar em Mim”, cantada em coro pela caravana Circo Voador… Letra e música de Jorge Du Peixe, composições e porta voz da Nação Zumbi. Timbres que me fizeram lembrar The XXX.

Fonte: O Globo

   Fim do show…? Imagina… O público pede bis e conclama, “volta, volta”, “mais um”, “mais vários”… Retornam arrastadamente com “10 Contados”, outra do 1º disco, “Meu amor, não se atrase na volta, não…”, mais uma de mister Marley, na releitura única de Concret Jungle, outro registro do 1º álbum. Acabou?! Ninguém arredou o pé do Circo… A plateia urrava, assobiava, gritava, bradava por mais um pedacin de CéU, e ela atendeu prontamente com “Bubuia”, do Vagarosa, “Já que não estamos aqui só a passeio/ Já que a Vida, enfim não é recreio/ Eu vou…”, parceria com Thalma de Freitas e Analis Assumpção, filha de Itamar Assumpção, uma oração pra suportar os 365 dias na missão. E pra nossa saudade antecipada, uma do 1º, para aí sim fechar, “Ave Cruz”, sem frescura, sem jacuzzi, nem chuveiro à vapor , e sim, mais um banho na cachoeira musical das águas sonoras de CéU.

   Ao fim do show demonstrando sua gratidão e deleite, claramente emocionada, tomada por aquela energia vibrante, CéU afirmou de coração aberto: “ Tô de alma lavada, gente ”. Creio que esta sensação, foi compartilhada por boa parte da plateia, que desfrutou de seu show/baile. CéU estava sinceramente tocada, por aquele clima, gozando do palco, em regozijo com a plateia calorosa, que estava presente de corpo e alma em seu “bailão”

   Pois é, pessoa… Foi um “bailão”, daqueles de arrasar quarteirão. Não se via gente quieta, estática… Até o mais tímido dos presentes sacolejou. Todos em movimento, se deliciando com aquela sonoridade ímpar, de vanguarda, sim… Na linha de frente da música feita na terra brasilis. Sua música é impregnada de elementos que remetem a brasilidade, bossa nova, samba e suingueira, mas… CéU é universalmente regional… Afro-urbana! É lama, barro, sal da terra, tempero brazuca oferecido à música mundial!

    Esta paulistana arretada, filha de maestro e artista plástica, sabe muito bem o caminho que está trilhando, conhece sua potencialidade de compositora, cantora e intérprete de suas canções. Além de ter clareza, do quanto nos seduz com sua postura no palco e seu olhar febril de mulher de encantos… Uma ninfa sagaz, na condução de sua “Caravana Sereia Bloom”, pelos quatro cantos da Terra, nos encantando com a singeleza de suas canções, advindas de sua alma de poeta… Se desnudando a cada nota entoada, por seu corpo frágil e delicado, mas grandioso em sua atuação, vestindo um jeans retro de cintura alta e sua blusa de lantejoulas azul esverdeadas com ombro a mostra, protegida por seu poncho marrom reluzente, onipresente e discretamente imerso na Caravana, cobrindo sua mesa de brinquedos sonoros.

Foto: Fernando Mazza

    Era notável a emoção, estampada em seu rosto livre e solto, em seu regozijo, a sua satisfação escancarada… O agradecimento diante daquelas criaturas dançantes, que curtiram sem parar, por quase duas horas de show, preenchidas por 21 músicas. Os músicos de sua Caravana, a partir da expressão em seus rostos, se revelaram surpresos ao cumprimentarem abraçados os presentes ao fim do show, meio que atônitos, com tamanha entrega do público, que vibrou, cantou, acompanhou e dançou como se nunca houvesse dançado daquela maneira. Era perceptível a atmosfera de entrega, volúpia e sensualidade… Eros estava presente…  A Vida pulsando a cada acorde e canto… A dança dos corpos, que se tocavam e seguiam na mesma pulsação… A interação da plateia com ela própria e com a artista era tocante… A suavidade ébria, em alguns momentos e a vigorosa intensidade, se alternaram naquela noite mágica de CéU , que nos elevou aos céus, de sua musicalidade singularmente plural, energizada por seu amor musculoso! E que venham mais shows e discos, tão bons quanto esses já lançados! Salve, salve Maria do CéU Whitaker Poças… Salve, salve a musa da malemolência!

Texto: Rogério Melo

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